Archive for Fevereiro, 2007

O Sorriso Não Tarda Para quem Tropeça no Próprio Cadarço

E então, ela direcionou seus olhos alvejando os meus. Doce castanho cinza radiando a aurora de suas angústias. Balbuciou em tom grave as palavras afiadas com lâminas de certeza.
“Até penso em querer ser apenas sua”.
Percebi o hiato entre ser próximo e distante e digeri sua aflição enquanto ela me fulminava com seu medo de parecer tão infantil. Mesmo com seus quase trinta anos.
“Gostei de ser criança, apenas ontem. Agora não quero a falta de me sentir velha”
Ah, meu doce. Tão meiga e sensata. Atingindo o âmago de minhas fantasias. Mas, ela está certa sempre. E não deixou suas pupilas naufragarem em lágrimas baratas. E eu permaneci estagnado no meu abandono repentino, imoral. Seria mais uma de minhas tantas faces, desmembrando meus casos e lavando essa minha alma marcada pelos erros e acertos. Sabendo sempre, o final.

6 comments Fevereiro 28, 2007

Segredos Sem Amor

De uma nota só. É o palpitar do meu coração no peito. Ligeiro devaneio aquece a alma, me dá vontade de arriscar. E eu te devoro em fagulhas, lançadas pelos meus olhos sem ternura. Apenas vontade e tesão. Ebulição da alma, quentura de excitação. Num beijo te fito a vontade da entrega. Sexo, gozo e sorriso sem mazelas. Geme, dança e treme. Nosso segredo é nosso, só da gente. Vem me abraça e sente o calor. Não é amor, é apenas vontade de ser esplendor. De uma nota só, sem repertório. Ritmo nosso, prazer ardente, instantâneo ilusório. Salivas, suores e delícias. De cima pra baixo e de baixo pra todos os poros que saciam as nossas sensações . Sem rumos ou regras, sem preconceitos nesse nosso segredo. Beijos, muito beijo e línguas ligeiras. Lentas, rápidas, calmas e certeiras. Feroz. Te levo nua rumo à lua. E de mim faz um escravo servo, aproveite todo nosso silêncio esférico, de prazer, sem pudor. Sem amor. Só volúpia e desejo ardente. De uma nota só. Retrógrados voltamos ao nosso mundinho, com medo, receio de burburinhos. Ligeiro devaneio aquece a alma, me dá vontade de arriscar.

3 comments Fevereiro 26, 2007

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, com 3.0 Turbinado (balzaquiano) - Redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.

Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.

Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.

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