Archive for Dezembro, 2006

Esperança Sagrada

Risca o fósforo e acende a vela para a prece da noite. Enquanto a chuva não vem, os raios e trovões anunciam a ressaca no céu. E ajoelha, junta as mãos e balbucia ao som do silêncio. Pára e levanta, fecha a janela para que os pingos d´água não invadam seu quarto-capela. Segura forte o santinho, pede ao Pai bem baixinho o que você quer amanhã. E finge a fé de quem fere ao próximo no cotidiano. Peça perdão. E eleve a mente aos pés do paraíso ilusório. O chefe barbudo-barbado com auréola vigia. É Deus, é Jah, é Buda, é Zeus, é Alah, é Jeová ou talvez Yehoshua. Não importa a porta ou a nomenclatura que se dá. Pode entrar. Coração puro, arrependimento imaculado. E pede, clama sob a chama branda da vela na cabeceira da cama. Em nome do Pai ou da mãe, tanto faz. O dízimo é o amor ao próximo, o mínimo é bradar por compaixão. Agora espera, faz o inverso, agradeça. Não peça, reconheça. Fique grato por essa jornada, não existe desespero inútil. Sagrado.
Amém.

4 comments Dezembro 27, 2006

Sobre Rabanadas, Vinhos e a Vida

Os badalos do sino acabaram de soar. Natal já é pretérito e o tempo corre de encontro ao novo ano que vem. Fixo meus olhos nos piscas da lâmpada e lanço pensamentos bons imaginando poesia junto com as cores que brilham na minha mente. Nuances escorrendo entre o hiato das minhas novas aspirações e a inspiração na busca de um sonho mais concreto. Tudo tão curioso. O legal mesmo, era enxergar a brisa do mar passeando pelos lábios de uma sereia com um largo sorriso espelhado. A trilha sonora naquele fim de madrugada não era a minha predileta. Gostaria de mergulhar num reggae curtido. E a imagem turva da mais bela fada ao longe da minha viagem etílica, fugia de tudo o que eu imaginava que o amor fosse. Desconstruindo meu castelo de versos românticos. Todas as cores, cheiros, sentimentos e sofrimentos eram os moldes perfeitos para alma de um romântico piegas. E os ventos ronronavam, os verbos sonhavam e o coração naufragava em areia. Desilusão. O sabor do vinho escorregando goela à dentro se misturava ao doce da rabanada e o paladar sempre buscava o gosto pela vida. Lembrei-me dos dias em que rasgava os papeis dos presentes com um brilho no olhar. Um menino que aguardava ansioso pelo seu novo brinquedo. Agora vejo que a vida vem embrulhada para que possamos a cada dia desvendá-la.

3 comments Dezembro 26, 2006

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, com 3.0 Turbinado (balzaquiano) - Redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.

Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.

Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.

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