Azucrinação do Caralho

Eu sei que ficar imóvel não é girar com o mundo. Mudo as palavras para que não ecoem em tom errado. Escoam em opaco. Sem contraste, ditas por um traste em foto sem foco ou flash. Um clique pode ser tanto da câmera, quanto do mouse, ou do revólver que não sei o calibre. Bala na agulha do palheiro. Tocando o puteiro. Alguns pontos sem nós e o estado solitário que não me ajuda a conjugar verbos para as pessoas no plural. Ainda há alguns bilhetes de adeus no funeral.

Inerte no sofá, sob efeito do álcool e das notícias da TV, tudo soa assim clichê. O espetáculo da tragédia ajuda na fatura mídia. Fartura violência. Tudo sem ressaca observando o cotidiano da sacada. Foda-se, não foi comigo. Vende-se cenas repetidas da queda do helicóptero. Azucrinação do caralho. E o que faço com meu chefe me fodendo? Abato-o? Papo bravo, carregado e cheio de fagulhas. É claro que a esperança sempre aparece com aquele cheiro de terra molhada. O problema é que nem sempre chove.

Mente aberta, sem barreiras. As ideias marcam territórios ilusórios. Já não basta apenas viver. É preciso sobreviver além de percepções, sentimentos e escolhas. É preciso fugir das traçantes e não virara estatística. Alguma nuance de sangue com manchete de bala perdida. Eu sei que é uma merda, mas todo mundo acaba se acostumando em viver com o medo. Tudo rima com morte. Por sorte, ainda rumo para algum lugar ao norte, apenas para tentar rimar palavras tolas.

Um tiro que nos desperta do estado de entorpecimento. Sirenes. Gritos que brotam em meio ao silêncio, que cortam o descanso e desnorteia a realidade. Toda esta estupidez cotidiana carregada de maldade. Que bom é ainda poder despertar e ainda vasculhar motivos para sorrir, dançar e gozar. Basta trancar bem a porta e as janelas e tapar os ouvidos. Também dá para encontrar refúgio trocando de canal. Basta viver de utopias e assistir às reprises do desenho do pica pau.

4 comments Novembro 5, 2009

Poesias entre Lençol, Suor e Pudor

Não faço bom uso do tempo que tenho, mas sempre soube a hora certa de partir. Juro não conhecer a melhor forma de contar pra ela, pois tem outra na esquina à minha espera. Tantas cores e cheiros entram na minha vida sem parar e não me deixam por os pés no chão para negar o instinto. Nuances e aromas que remetem ao bom cheiro que ela tem. Tufão que derrubou o jarro da sala e arrancou a minha calça jeans. Várias horas de orgia desvairada, monogamia absurda e letal. Sem traição, mas com orgasmo. Um cheiro de sexo impregnando as paredes daqueles míseros centímetros, espaço que não cabe qualquer sentimento.

Mudo. Sem barulho ou sussurro. Fodendo e devorando com os olhos insólitos. Esbugalhado. A boca se ocupa em beijos e lambidas safadas, sem balbuciar gemido ou palavra. Morde e assopra. Goza. Trocando de posição como quem troca de estação de rádio, tirando e botando, num ritmo desvairadamente pragmático e incessante. Vem e vai, sem canção inspirada por donzela ou adaptação das cartas de amor. Interessante era a calcinha enfeitando a cabeceira da cama. Rosa instigante. De lembrar me deixa o pau duro, bem chulo. Lembro-me da fenda molhada, jorrando tesão e misturando as sensações que não são separadas entre a mente e o coração.

Vivo o momento em ponto sem vírgula. Tal a perda do trema sem tremer na base de um lirismo informal. Filminho de Hitchcock com macarrão ao sugo e queijo ralado. Taça de vinho vazia e fome de taras. Tudo assim sem nexo e tatibitate, para ter coerência com a melodia do abrir de tampa de um pote de mel. Formiga sedenta por uma cigarra que brada algo em busca do calor ofegante. No fim tem um maço de qualquer cigarro com marca vagabunda, paraguaia. Trago fundo, gole na água filtrada, sem pena ou perda de romantismo e selvageria. Marca das unhas cravadas nas costas e mais algumas horas de prazer. Coisa de homem bicho sem perder tempo em conquistar poesias entre lençol, suor e pudor.

Culpa das curvas vadias da meretriz rampeira. Sem eira nem beira, só troca de favores e prazeres distintos. Grana e carne. Sem apego e compromisso formal. Porque a mim só interessa tudo o que ela tem do lado de fora. O que tem dentro, só existe por causa do que exibe externamente. Eu não gosto de você, eu só gozo em você. Pode cobrar o capital sem som de violino. Tipo mambo e tango, num ritmo que dura o prazer da dança, mas não é constante e singelo. Pago a conta e ganho até sobremesa. Três notas de cem e a consciência de não precisar do amor. Pelo menos nesta noite em que eu não fiz bom uso do tempo. Bom mesmo é ter a certeza de que sempre sei a hora certa de partir.

2 comments Setembro 28, 2009

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, com 3.0 Turbinado (balzaquiano) - Redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.

Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.

Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.

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